Em agosto de 2008 o governo federal licitou duas das mais extensas linhas de transmissão de energia do Brasil. Para fazer a ligação entre as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, ambas no rio Madeira, em Rondônia, e Araraquara, em São Paulo, elas têm uma extensão de 2,375 quilômetros.
No momento da licitação das linhas, as duas usinas já estavam em construção, por dois diferentes consórcios, que venceram as concorrências para geração, em 2007 e 2008. O empreendimento conjunto é de grandeza mundial: começando com custo estimado de R$ 20 bilhões, já bate na marca dos R$ 30 bilhões.
Na última segunda-feira, 12, o jornal Valor, de São Paulo, revelou um erro grave – e quase inacreditável – cometido no planejamento de uma obra desse porte. Segundo o jornal, os que a projetaram, no âmbito do Ministério de Minas e Energia, simplesmente “esqueceram” de fazer a conciliação na conexão da energia gerada nas hidrelétricas com a linha, que a recebe e transmite por longa distância. O edital de,licitação nada teria dito sobre essa estação conversora e o sistema de proteção e controle das turbinas.
A peça necessária para proteger as turbinas na hora de repassar a energia para ser transmitida custa 14 milhões de reais, diz o jornal. Como 88 turbinas serão instaladas (41 já em funcionamento em dezembro) nas duas hidrelétricas, o acréscimo – decorrente do cochilo dos técnicos que projetaram as obras – será superior a R$ 1,3 bilhão, ou 4% do custo total das usinas, que já foi majorado em quase metade do valor que tinha quando elas foram licitadas.
Autor: Lúcio Flávio Pinto, 62, é jornalista desde 1966. Editor do "Jornal Pessoal", publicação quinzenal que circula em Belém do Pará desde 1987.
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